Tire as suas dúvidas sobre a dor crônica

Tire as suas dúvidas sobre a dor crônica

A Associação Internacional para o Estudo da Dor – IASP define a dor como uma experiência emocional e sensorial desagradável que as pessoas sentem por conta de apresentarem danos em seus teciduais reais ou potenciais.

Também é interessante colocar que a IASP classifica a dor em dois tipos básicos: a dor aguda e a dor crônica, o que faz com que muitas pessoas tenham dúvidas acerca do assunto. Afinal, os tratamentos para cada uma das modalidades é diferente.

Baseados nessa premissa, desenvolvemos este post, que pretende esclarecer todas as suas dúvidas sobre a dor crônica. Para isso, iniciaremos explicando qual é o significado de dor crônica e as suas principais diferenças em relação à dor aguda.

Na sequência, vamos falar sobre os sintomas da dor crônica, quais são os tipos em que ela se subdivide e os principais tratamentos recomendados para evitar esse incômodo.

Então, se você quer ficar muito bem informado e não ter mais nenhuma dúvida sobre a dor crônica, continue a leitura nos tópicos a seguir.

Qual é o significado de dor crônica?

Já comentamos anteriormente que há uma distinção entre os dois tipos básicos de dor: a dor aguda e a dor crônica. Mas qual é, de fato, a diferença entre essas modalidades? E qual o significado de dor crônica? Acompanhe e entenda.

DOR CRÔNICA X DOR AGUDA

DOR CRÔNICA

No ramo da medicina, a dor crônica é tida como uma doença, ou seja, uma patologia que tem um motivo subsequente para acontecer. Além disso, a dor crônica pode ser piorada por conta de fatores psicológicos e ambientais vivenciados pelo paciente com esse quadro.

Também é importante destacar que a dor crônica dura por um período de tempo maior do que a dor aguda e é, muitas vezes, resistente aos tratamento, trazendo muito incômodo para as pessoas.

Trata-se de uma doença que acomete o sistema nervoso central, que perdura por bastante tempo, sem que haja um sentido biológico para que isso aconteça.

A cura de uma dor “normal” leva um período que varia de três a seis meses para ocorrer. Isso não acontece com a dor crônica, que perdura por muito mais tempo do que isso.

Outro ponto curioso é que a dor crônica pode ser contínua ou intermitente. Isso quer dizer que ela pode perdurar por longos períodos sem interrupção, bem como, pode ter ciclos, que terminam, mas logo reiniciam, causando grande incômodo.

A dor crônica também causas nas pessoas quadros de hiperalgesia, que é o aumento da sensibilidade à dor, alodínea, que a sensação de dor exagerada para situações que não deveriam causar dor, e disestesia, que são sensações desagradáveis.

DOR AGUDA

Compreendido o que é a dor crônica, é importante saber também o que é a dor aguda, para que você saiba diferenciar uma da outra e assim obter mais certeza de seu tratamento e descrição do quadro quando for consultar um médico.

Chamamos de dor aguda, as inflamações ou lesões que são causadas em tecidos do nosso corpo. Geralmente, a dor aguda ocorre quando sofremos um machucado, como um corte acidental, uma batida forte em alguma parte do corpo, uma cirurgia etc.

Trata-se de algo auto-limitante, ou seja, que tem uma causa específica para acontecer e que deve durar um determinado período. Além disso, com o tratamento adequado, é possível fazer com que o processo de cura da dor aguda cure mais rapidamente.

Mas como diferenciar, na prática, esses tipos de dores? Para isso, é importante conhecer os sintomas da dor crônica, os quais serão listados, a seguir.

SINTOMAS DE DOR CRÔNICA

MÁ POSTURA

As pessoas que sentem uma dor crônica em alguma parte do corpo, como na coluna, por exemplo, precisam adaptar a postura ao sentar ou deitar para aliviar a dor. Assim, muitas vezes, adotam uma má postura.

Portanto, se você sente muita dor ao permanecer em determinadas posições e precisa adotar uma postura inadequada para se sentir mais confortável, pode ser esse um indicador de que está com um quadro de dor crônica.

FALTA DE HORMÔNIOS

A falta de hormônios também pode contribuir para o desenvolvimento da dor crônica. Isso se justifica, principalmente nas mulheres mais velhas, pelo fato de a menopausa causar mudanças hormonais no corpo.

Os hormônios em falta, podem causar problemas na proteção dos ossos, com a coluna alterando o seu eixo. Desse modo, quando você estiver sentindo fortes dores, associadas a alterações nos hormônios, também pode ser um indicador de dores crônicas.

GRAVIDEZ

As mulheres grávidas, por conta desse condição, sofrem um grande desequilíbrio em seus índices hormonais. Além disso, com o ganho de peso, a coluna pode alterar a posição, causando dores.

Essas dores, se permanecerem após o término da gestação, indicam que uma dor crônica foi adquirida durante o período.

DEPRESSÃO

Por sentir muita dor e as vezes ficar limitado para fazer algumas atividades, as pessoas com essa patologia podem adquirir a depressão. Por isso, quando alguém sente dor forte e ao mesmo tempo se sente triste e desmotivado, pode estar com dor crônica.

Como você pode perceber, a dor crônica não está vinculada apenas a fatores físicos, mas também psicológicos. Por isso, é preciso estar atento a todos esses itens citados e, caso pense estar com a dor crônica, deve consultar um médico de confiança.

Para facilitar essa identificação, convém compreender os principais tipos de dor crônica, pois ela é subdivida em diversas categorias. Veja, na seção a seguir.

Quais são os principais tipos de dor crônica?

Os principais tipos de dor crônica são os a seguir relacionados. Vamos explicar um pouco mais sobre cada um deles, não deixe de conferir.

DOR NEUROPÁTICA

Se fizermos uma analogia entre o corpo humano e um sistema elétrico, podemos dizer que ela ocorre quando há um “curto-circuito” no sistema nervoso. A dor resulta, portanto, de lesões e disfunções na parte neurológica do organismo.

A dor neuropática pode ocorrer por infecções que são causadas por doenças como a herpes e o diabetes, porém também pode estar relacionada a dores nos ossos e nos músculos, se intensificando conforme avança a idade dos pacientes.

Juntamente com a dor, as pessoas que têm a neuropatia, também sofrem com queimações, sensação de agulhadas, choques, formigamento dos membros, no caso de dores nas pernas ou pés e hipersensibilidade ao toque.

Isso tudo acontece porque as dores neuropáticas tem origem no sistema nervoso, o que faz também com que estímulos comum do dia a dia, como o contato do corpo com uma roupa ou objeto, como uma joia ou bijuteria, cause certos incômodos dolorosos.

Entre as principais causas da dor neuropática estão as seguintes:

  • amputação de membros: causando a chamada dor do membro fantasma, ou seja, quando o paciente tem a sensação de sentir dor em uma parte do corpo que já não possui;
  • alcoolismo: o uso de álcool em excesso afeta as funções nervosas;
  • deficiência nutritiva: a alimentação pobre em nutrientes também pode afetar o sistema nervoso negativamente;
  • traumas na medula espinhal: machucados causados por cirurgias, fraturas ou acidentes podem se tornar uma dor crônica, quando ocorrem na medula espinhal;
  • diabetes: o diabetes do tipo mellitus afeta os membros do corpo e causa a doença chamada de neuropatia diabética periférica;
  • problemas de tireoide;
  • doenças causadas por bactérias: AIDS, herpes, sífilis, entre outras doenças do tipo podem liberar toxinas que afetam o sistema nervoso;
  • esclerose múltipla: pessoas com essa condição possuem limitações e são mais suscetíveis a sofrer com as dores neuroáticas;
  • quimioterapia: pacientes com câncer e que fazem tratamento com a quimioterapia podem ter células saudáveis mortas, o que afeta os nervos.

A identificação das dores neuropáticas é feita por meio de uma avaliação física e exames neuromusculares, que precisam ser realizados por um médico de sua confiança.

DOR NOCICEPTIVA

A dor nociceptiva também é conhecida pela sua nomenclatura em inglês, change pain. Trata-se da dor resultada da ativação de nociceptores por estímulos nóxicos, do tipo mecânico, químico ou térmico.

Os nociceptores, que são a fibra A-delta e C, podem ter a sensibilidade aguçada quando estimulados quimicamente pelas chamadas substância algogênicas, como a histamina, a serotonina, a bradicinina e a substância P.

Como o sistema nervoso encontra-se intacto e, na sequência, percebe estímulos nóxicos, eles acabam resultando em dores, que podem se tornar crônicas. São exemplos de dores nociceptivas:

  • osteoartrite;
  • dor visceral;
  • dor inflamatória;
  • dor traumática;
  • dor pós-operatória.

DOR MISTA

Existem ainda algumas situações em que pode ocorrer a dor mista, que nada mais e do que uma dor que tem ao mesmo tempo origens neuropáticas e nociceptivas.

Esse tipo de dor crônica se caracteriza por seu um dos mais incômodos de todos, sendo muito fortes e recorrentes. Entre os principais exemplos das dores mistas estão as seguintes:

  • cervicobraquialgias: dores cervicais que se irradiam pelos membros superiores;
  • lombociatalgias: dores na região lombar que se irradiam nas nádegas e nas faces da coxa, podendo ir até os pés;
  • radiculopatia cervical, torácica e lombar: dor que resulta da irritação ou compressão de nervos que saem da coluna vertebral;
  • dor oncológica: dores causadas por conta do câncer;
  • neuropatias compressivas: dores que são causadas em razão da compressão dos chamados nervos periféricos.

DOR VISCERAL

Como o próprio nome sugere, as dor visceral é aquela que se origina nas vísceras, ou seja, nos órgãos e cavidades internas do corpo. Quando o corpo têm menos receptores sensoriais, esse tipo de dor pode ser crônica, como nos casos em que as pessoas sentem muita dor de estômago, por exemplo.

Outro ponto interessante sobre a dor visceral é que ela pode ocorrer em locais do corpo totalmente diferentes do local em que a lesão do corpo do paciente está presente. É o caso dos ataques cardíacos, que geralmente têm início em locais como os braços, as mãos e o estômago e não no coração, local onde se encontra a lesão.

Esses são os principais tipos de dor crônica que existem e, como você pode perceber, eles são bem variados e podem ser oriundos de diferentes causas. Porém você deve estar se perguntando: existe tratamento para a dor crônica? A resposta é sim e nós explicamos os principais deles para você.

Como fazer um tratamento para dor crônica?

Para tratar a dor crônica e aliviar os seus sintomas, você pode seguir algumas das opções a seguir, porém, obviamente, sempre com a orientação e supervisão médica.

EXERCÍCIOS FÍSICOS

Embora em um primeiro momento se possa ter a sensação de que o melhor a ser feito para aliviar uma dor é guardar leito, nem sempre isso pode ser tido como uma verdade. Em alguns casos, manter o corpo ativo é a melhor opção, pois isso fortalece o organismo e ajuda na melhora da movimentação e combate à dor.

É claro que os exercícios precisam ser adaptados de acordo com a sua condição. Se você tiver um forte quadro de atrite e sofrer dores nas articulações, a corrida pode não ser uma boa opção, por exemplo. Porém exercícios na água, por serem mais leves, são indicados.

Para saber quais exercícios você pode ou não pode fazer, convém sempre contar com o auxílio profissional de um educador físico, que conheça o seu quadro e também acompanhe a sua evolução médica.

FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL

Os tratamentos de fisioterapia, como o pilates ou as ventosas podem ajudar a recuperar lesões que estão presentes exatamente nos locais em que você sente dor.

Outra recomendação é a terapia ocupacional, nome dado para desenvolver métodos para não sofrer com as dores em atividades cotidianas, como subir e descer escadas, entrar e sair do carro, sentar e levantar etc.

Esses tratamentos precisam ser supervisionados pelo fisioterapeuta, de preferência em uma clínica especializada em tratamentos para a dor crônica.

MEDICAMENTOS

O tratamento medicamentoso também é indicado para algumas situações em que ocorre a dor crônica. Porém, é sempre importante lembrar sobre a importância de evitar a automedicação. Só tome remédios que forem receitados pelo seu médico, caso contrário você poderá até mesmo agravar o seu problema.

Os remédios para tratar as dores crônicas podem ir desde analgésicos como o aspirina, o ibuprofeno, a dipirona e o paracetamol, até outros mais fortes, como a morfina, esteroides, codeína e até mesmo a anestesia.

As drogas para tratar dores crônicas podem ser administradas por via oral, no caso dos comprimidos, por via anal, no caso dos supositórios, e por via hipodérmica, no casos dos que são aplicados diretamente na pele, como é o caso dos cremes e sprays com ação medicamentosa.

MASSAGEM TERAPÊUTICA

A massagem terapêutica, por si só, não cura uma dor crônica, porém pode amenizá-la, aliviando temporariamente as dores e tensões nos músculos.

É preciso ter o cuidado sobre a técnica escolhida para fazer a massagem, pois não é recomendado os movimentos muito intensos, que podem até piorar a sua dor. As massagens, portanto, devem ser leves.

RELAXAMENTO

Algumas técnicas de relaxamento, como a respiração profunda e a meditação também podem ser vistas como uma alternativa para ajudar a amenizar as dores crônicas.

Os alongamentos podem ser feitos em sessões de yoga, ministradas por mestres especializados nessa técnica, em estabelecimentos do gênero.

ACUPUNTURA

Muito se fala também em acupuntura, que é uma técnica milenar em que são inseridas agulhas muito finas em determinadas zonas do corpo. Essas agulhas têm a finalidade de liberar hormônios e neurotransmissores analgésicos, que possuem ação anti-inflamatória e relaxante para os músculos.

Apesar de serem inseridas agulhas no corpo, os adeptos à acupuntura garantem que o procedimento não causa nenhum tipo de dor ou incômodo.

CIRURGIA

A dor crônica, em alguns casos, também precisa ser tratada com intervenções cirúrgicas. Nessas cirurgias é feito um bloqueio do nervo que causa a dor, como a injeção de medicamentos paralisadores em determinadas partes da espinha.

Apesar de eficaz, a cirurgia pode causar riscos em alguns casos, sendo necessária uma ampla avaliação médica, por meio de exames. Também deve ser analisados todos os efeitos colaterais causados pelo procedimento e avaliar se ele vale ou não a pena ser feito.

TRATAMENTO COM LUZ DE LED LLLT

Existe também uma moderna opção para o tratamento da dor crônica, trata-se do LLLT. O tratamento, que é feito por meio da emissão de ondas da luz de LED, já foi apontado como uma boa solução para dor por mais de 1200 estudos da área.

Entende-se que a luz é uma energia que irradia ondas de diversos comprimentos. Esses comprimentos se transformas em cores, que geram benefícios diversos para os tecidos biológicos, aliviando a sensação de dor.

O LLLT proporciona a liberação do óxido nítrico e do ATP, substâncias que aumentam o aporte de nutrientes e de oxigênio para as células. Também chamado de fotobiomodulação, esse tratamento pode ser feito em sua própria casa, desde que você adquira o equipamento necessário para isso.

Agora você já sabe mais sobre a dor crônica. Conseguimos esclarecer as suas dúvidas? Esperamos que sim e que nosso conteúdo tenha ajudado, caso você sofra com esse problema. Obrigado pela leitura.

Quer saber mais sobre como tratar a dor crônica? Leia esse artigo e tire todas as suas dúvidas.

Originalmente publicado em: http://cosmedical.com.br/blog/cosmedical/sportllux/duvidas-sobre-a-dor-cronica/